O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em parceria com a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e o Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW), lançou um edital de R$ 70,2 milhões para a criação de Núcleos de Desenvolvimento da Sociobioeconomia em regiões prioritárias da Amazônia. A iniciativa faz parte do Projeto “Sociobioeconomia na Amazônia”, que contará com aporte total superior a R$ 120 milhões ao longo de quatro anos.
A chamada pública vai selecionar seis redes regionais para atuar em territórios estratégicos da Amazônia Legal: Altamira (PA), Portel (PA), Salgado-Bragantino (PA), Macapá (AP), Juruá-Tefé (AM) e Rio Branco–Brasileia (AC). Cada território poderá receber até R$ 11,7 milhões para fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis.
Segundo o MMA, os núcleos serão formados por organizações comunitárias, cooperativas, empreendimentos locais, instituições de apoio técnico e centros de ciência, tecnologia e inovação. A proposta é que funcionem como referências regionais em assistência técnica, capacitação, gestão de negócios, comunicação e inovação produtiva. As inscrições estão abertas até 9 de janeiro de 2026, no site fas-amazonia.org/sociobio.
Durante o lançamento, realizado no Barco Cultural “Banzeiro da Esperança”, em Belém (PA), também foi assinado o novo contrato de cooperação entre FAS, KfW e MMA, garantindo R$ 120 milhões para a execução do projeto pelos próximos cinco anos. Do total, 86% serão destinados diretamente a ações de bioeconomia, e 14% ao gerenciamento das atividades.
Para a diretora do Departamento de Políticas de Estímulo à Bioeconomia do MMA, Bruna De Vita, o investimento fortalece um modelo de desenvolvimento alinhado à presença de povos tradicionais e áreas protegidas. Ela destaca que o projeto reúne “um conjunto sólido de inteligência e conhecimento” para impulsionar a bioeconomia amazônica.
Representando o KfW, Jens Mackensen afirmou que a instituição pretende continuar colaborando com o governo brasileiro para fortalecer iniciativas sustentáveis na região. “Na Amazônia, a pressão pública e a atuação das comunidades tradicionais são fundamentais para aprimorar políticas públicas e fazê-las chegar aos territórios”, disse.
A FAS será responsável pela implementação técnica e financeira do projeto, em articulação com o MMA e sob acompanhamento do KfW. A iniciativa deve impulsionar cadeias produtivas conduzidas por povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, promovendo uma transição para uma economia mais inclusiva e sustentável.
De acordo com Virgilio Viana, superintendente-geral da FAS, a iniciativa é uma das mais robustas já lançadas na região. “A sociobioeconomia é a base de um novo modelo de prosperidade para os povos da floresta, integrando conservação ambiental, desenvolvimento econômico e inclusão social”, afirmou.
O Projeto Sociobioeconomia da Amazônia integra a cooperação entre Brasil e Alemanha para implementar a Estratégia Nacional de Bioeconomia (ENBio), que orienta o estímulo a atividades econômicas sustentáveis e a valorização da biodiversidade. A coordenação política é do MMA, por meio da Secretaria Nacional de Bioeconomia, e a implementação fica a cargo da FAS, com financiamento do KfW.




