Um novo estudo realizado com base em dados de milhões de crianças brasileiras indica que a vulnerabilidade social está associada a médias de altura menores entre crianças indígenas e aquelas que vivem em estados do Nordeste até os 9 anos de idade. A pesquisa, coordenada por especialistas do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde da Fundação Oswaldo Cruz na Bahia (Cidacs/Fiocruz Bahia), alerta para desigualdades no desenvolvimento infantil no país.
Segundo os pesquisadores, a combinação de problemas no acesso à saúde, alimentação inadequada, maior incidência de doenças, condições socioeconômicas desfavoráveis e cenários ambientais precários contribui para que grupos vulneráveis tenham alturas médias abaixo daquelas preconizadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
A análise foi feita a partir de um cruzamento de dados de cerca de 6 milhões de crianças brasileiras registradas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), no Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc) e no Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan). Os pesquisadores compararam medidas de peso e estatura com parâmetros internacionais de crescimento saudável, avaliados por curvas de escore-z da OMS.
O estudo ressalta que nem todas as crianças indígenas ou do Nordeste estão abaixo das referências de altura, mas que uma proporção maior nesses grupos apresenta crescimento comprometido em comparação com outras regiões do país.
Além das diferenças na estatura, a pesquisa também observou que cerca de 30% das crianças brasileiras estão com sobrepeso ou próximos disso, evidenciando que a vulnerabilidade social não protege contra o excesso de peso e pode coexistir com problemas de crescimento.
Os resultados reforçam a importância de políticas públicas voltadas para condições de vida mais equitativas, incluindo melhor acesso à saúde, alimentação adequada e ambiente seguro para a primeira infância, fases cruciais para o desenvolvimento infantil.
Com Informação Agência Brasil




