Quatro homens — três policiais militares e um guarda municipal — suspeitos de estuprar uma mulher indígena da etnia Kokama durante uma custódia irregular no interior do Amazonas foram presos no último sábado (26/07), em uma operação das Polícias Civil e Militar. As prisões ocorreram menos de 24 horas após o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) solicitar à Justiça a prisão preventiva dos envolvidos.
Os mandados foram cumpridos nos municípios de Manaus, Tabatinga e Santo Antônio do Içá, onde os suspeitos estavam em atividade. Outros dois policiais militares — um em férias e outro em missão — ainda não foram localizados, mas, segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), devem se apresentar às autoridades nas próximas horas.
As prisões preventivas foram autorizadas pelo juiz Édson Rosas após a solicitação do MPAM, feita na sexta-feira (25), no âmbito de um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) instaurado pela Procuradoria-Geral de Justiça. Além das prisões, o MPAM pediu o afastamento imediato dos agentes das funções públicas e a suspensão do porte de armas, com base no artigo 254 do Código de Processo Penal Militar.
Durante depoimento prestado às promotoras de Justiça Priscila Pini e Lilian Nara, a vítima relatou não apenas os abusos sexuais sofridos, mas também episódios de humilhação, tortura e intimidação dentro da unidade policial. A mulher também afirmou que, após sua transferência para a Cadeia Pública Feminina de Manaus, policiais militares teriam ido até a casa de sua mãe, em Santo Antônio do Içá, para fazer ameaças com o objetivo de silenciar a vítima e sua família.
A procuradora-geral de Justiça, Leda Mara Nascimento Albuquerque, classificou o caso como uma “violação extrema dos direitos humanos”. “Estamos diante de uma agressão gravíssima, cometida por agentes públicos que tinham o dever de proteger. O MPAM seguirá atuando com firmeza para garantir justiça à vítima, proteção à sua família e a responsabilização de todos os envolvidos”, afirmou.
O processo criminal tramita em segredo de Justiça, como forma de preservar a integridade da vítima, garantir sua segurança e proteger o andamento das investigações.




