A inserção de jovens no mercado de trabalho brasileiro ainda é marcada por fortes desigualdades regionais. É o que aponta a pesquisa “Juventudes e o Mundo do Trabalho”, realizada pela Fundação Itaú, com apoio técnico do Datafolha e do Instituto Locomotiva.
Entre os principais destaques do levantamento está a situação da Região Norte, onde apenas 29% dos jovens de 16 a 29 anos estão inseridos em empregos formais. O índice coloca a região entre as que apresentam os menores níveis de formalização do país, ficando acima apenas do Nordeste, que registra 20%.
Em comparação, a formalização alcança 58% dos jovens no Sul e 55% no Sudeste, evidenciando uma diferença significativa nas oportunidades de acesso ao mercado de trabalho com carteira assinada entre as regiões brasileiras.
Informalidade pesa mais no Norte e Nordeste
O levantamento também chama atenção para a maior dependência de atividades informais entre os jovens das regiões Norte e Nordeste. A realidade dos chamados “bicos” está relacionada às dificuldades de acesso ao emprego formal e às desigualdades sociais e econômicas enfrentadas por parte da população jovem.
No Brasil, 20% dos jovens entre 16 e 29 anos afirmam estar procurando trabalho atualmente. Outros 29% buscaram uma oportunidade nos últimos seis meses, enquanto 61% tentaram conseguir uma nova colocação profissional no último ano.
A pesquisa mostra ainda que as diferenças não se limitam ao aspecto regional. Jovens das classes A e B representam 43% daqueles que trabalham em empregos formais, enquanto os das classes D e E correspondem a 35%. Entre os jovens das classes D e E, 21% trabalham sem registro, contra 13% entre os das classes A e B.
Escolaridade também influencia
O nível de escolaridade aparece como outro fator determinante para a forma de inserção dos jovens no mercado de trabalho. Entre aqueles que estudaram somente até o ensino fundamental, 34% dependem de trabalhos informais ou “bicos”. Entre os jovens com ensino superior, esse percentual cai para apenas 3%.
Os dados reforçam que o acesso ao emprego formal ainda é desigual no país e que fatores como região, renda e escolaridade influenciam diretamente as oportunidades disponíveis para a juventude.
No recorte racial, a pesquisa aponta que 49% dos jovens brancos estão em empregos formais, enquanto entre os jovens negros o percentual é de 41%. A dependência de trabalhos informais também é maior entre negros: 12%, contra 5% entre brancos.
Os resultados colocam em evidência os desafios enfrentados principalmente por jovens do Norte e Nordeste, regiões que apresentam os menores índices de formalização do país e maior dependência de alternativas informais de trabalho.




