A violência contra a mulher continua sendo um dos principais problemas sociais e de segurança pública no Brasil. Pesquisas nacionais revelam a dimensão do fenômeno e mostram que as agressões não se limitam à violência física, abrangendo também situações de violência psicológica, sexual, moral e patrimonial.
Levantamento divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em 2025 apontou que 21,4 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência nos 12 meses anteriores à pesquisa, o equivalente a 37,5% das mulheres. O índice foi o maior registrado desde o início da série histórica do levantamento “Visível e Invisível: a Vitimização de Mulheres no Brasil”, iniciada em 2017.
O estudo também identificou que 5,3 milhões de mulheres, ou 10,7% da população feminina, relataram ter sofrido abuso sexual ou terem sido forçadas a manter relação sexual contra a própria vontade no mesmo período.
Outro levantamento, realizado pelo DataSenado em 2025, aponta que 27% das brasileiras afirmam já ter sofrido violência doméstica ou familiar. A pesquisa também mostra que 34% das entrevistadas vivenciaram algum tipo de violência nos 12 meses anteriores quando são consideradas diferentes situações previstas na legislação.
Um dos aspectos destacados pelos pesquisadores é que parte das vítimas sequer reconhece determinadas situações como violência. Na pesquisa de 2025, 4% das mulheres afirmaram espontaneamente ter sofrido violência nos últimos 12 meses. Quando foram apresentadas situações específicas previstas na Lei Maria da Penha, outros 29% relataram experiências que se enquadravam como violência. Somados, os grupos representam 33% das entrevistadas.
A violência também pode ocorrer diante de outras pessoas. Segundo o levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 91,8% das agressões ocorreram na presença de terceiros. O DataSenado, por sua vez, identificou que, em 71% dos casos de violência registrados na pesquisa, havia pelo menos uma testemunha, sendo que em 41% das situações havia crianças presentes.
Os números evidenciam ainda a importância da denúncia e da identificação dos diferentes tipos de agressão. Além da violência física, ameaças, humilhações, controle, perseguição, constrangimentos, violência sexual e danos ao patrimônio também podem fazer parte do ciclo de violência.
No Brasil, a Lei Maria da Penha estabelece mecanismos de proteção e enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher. A legislação reconhece diferentes formas de violência e prevê medidas destinadas à proteção das vítimas.
Os dados mostram que o problema permanece amplo e envolve diferentes contextos sociais. Para especialistas e instituições que acompanham o tema, a produção de estatísticas, o acesso aos canais de denúncia e o fortalecimento da rede de proteção são instrumentos importantes para identificar casos e ampliar a assistência às vítimas.




