O Teatro Amazonas recebeu oficialmente, na terça-feira (3), o certificado que reconhece o monumento como Patrimônio Mundial Cultural da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A solenidade foi realizada no próprio teatro, no Centro de Manaus, e reuniu autoridades estaduais, municipais e representantes de instituições ligadas à preservação do patrimônio histórico e cultural.
O certificado foi entregue ao governador do Amazonas, Roberto Cidade, pela representante da Unesco no Brasil, Marlova Noleto. O reconhecimento consolida a importância histórica, arquitetônica e cultural do espaço, considerado um dos principais símbolos da identidade amazonense.
Durante a cerimônia, Roberto Cidade destacou que a conquista representa o reconhecimento internacional da história e da cultura do povo amazonense. O governador também anunciou que está em tratativas com a Secretaria de Estado de Cultura (SEC) para viabilizar uma reforma integral do monumento, com a intenção de autorizar a intervenção antes do encerramento de seu mandato.
Segundo Cidade, uma reforma dessa dimensão não ocorre desde a década de 1990. O governador também defendeu maior participação das empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM) no financiamento de projetos culturais desenvolvidos no Amazonas, por meio de mecanismos de incentivo, como a Lei Rouanet.

Reconhecimento histórico para a Região Norte
O título foi aprovado em 27 de julho de 2026, durante a 48ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco, realizada em Busan, na Coreia do Sul. A candidatura brasileira reuniu o Teatro Amazonas, em Manaus, e o Theatro da Paz, em Belém, sob a denominação “Teatros da Amazônia”.
Além dos edifícios históricos, o reconhecimento contempla os espaços públicos associados aos monumentos: o Largo de São Sebastião, em Manaus, e a Praça da República, em Belém.
A conquista representa o primeiro reconhecimento de Patrimônio Mundial Cultural da Unesco para a Região Norte. Com a inclusão dos dois conjuntos arquitetônicos, o Brasil passou a contar com 26 bens inscritos na Lista do Patrimônio Mundial, considerando as categorias cultural, natural e mista.
Durante a solenidade, representantes da Unesco ressaltaram que os monumentos representam um período importante da formação econômica e social da Amazônia, especialmente durante o ciclo da borracha, quando Manaus e Belém passaram por transformações urbanas e culturais impulsionadas pela riqueza gerada pela atividade extrativista.
Prefeitura destaca participação na candidatura
O prefeito de Manaus, Renato Junior, também participou da cerimônia e destacou a importância do reconhecimento para a população. A Prefeitura de Manaus contribuiu tecnicamente para a elaboração da candidatura por meio do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) e da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult).
Entre as atividades desenvolvidas pelo município estiveram levantamentos técnicos, estudos urbanísticos e catalogação de imóveis históricos localizados no entorno do Teatro Amazonas e do Largo de São Sebastião.
O trabalho integrou o dossiê apresentado à Unesco e contribuiu para demonstrar a importância do conjunto arquitetônico e da paisagem urbana que envolve o monumento.
Símbolo do ciclo da borracha
Inaugurado em 31 de dezembro de 1896, o Teatro Amazonas foi construído durante o período de expansão econômica provocado pelo ciclo da borracha. O monumento representa uma das principais expressões da riqueza e da influência cultural que marcaram Manaus no final do século XIX.
Com arquitetura de influência europeia e materiais importados de diferentes países, o edifício se destaca pela cúpula colorida, pelo Salão Nobre e pelos elementos artísticos que compõem sua estrutura.
Ao longo de quase 130 anos, o Teatro Amazonas consolidou-se como um dos principais espaços de apresentações artísticas, espetáculos e manifestações culturais do estado.
Com o reconhecimento internacional, o monumento passa a integrar oficialmente a lista de bens considerados de valor universal excepcional, ampliando a visibilidade de Manaus e reforçando a responsabilidade dos governos e das instituições na preservação do patrimônio histórico da Amazônia.




