O empresário Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, confirmou que não comparecerá para prestar depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), previsto originalmente para esta segunda-feira (23). A decisão foi comunicada por sua defesa à Agência Brasil e está respaldada em despacho do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que tornou facultativa a presença do banqueiro nas oitivas em razão de sua condição de investigado no caso.
Vorcaro também tinha audiência marcada para terça-feira (24) na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, mas, segundo a decisão judicial, ele não é obrigado a comparecer a essa sessão também. Na mesma decisão, o ministro do STF negou pedido da defesa para que o banqueiro fosse transportado em aeronave particular para Brasília, argumentando questões de segurança; o deslocamento, caso aconteça, teria de ser feito em voo comercial ou por outro meio permitido.
Diante da desistência do depoimento do dono do Banco Master — instituição que está no centro das apurações sobre empréstimos consignados e descontos irregulares em benefícios previdenciários — a CPMI alterou sua pauta de trabalho para manter o ritmo das investigações. No lugar de Vorcaro, foi aprovada a convocação de Ingrid Pikinskeni Morais Santos, empresária ligada à Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), que tem sido apontada em requerimentos como possível beneficiária de mais de R$ 100 milhões em descontos indevidos de aposentadorias e pensões, e prestará depoimento na tarde desta segunda-feira no Senado Federal.
A ausência de Vorcaro no colegiado gerou preocupação entre alguns parlamentares, que consideravam seu depoimento estratégico para os trabalhos, especialmente diante do prazo final da CPMI, previsto para 28 de março. No entanto, o relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), destacou que a restituição dos dados sigilosos bancários e telemáticos do banqueiro à CPMI — também determinada pelo STF — permitirá que as investigações continuem avançando mesmo sem a presença física do investigado.
A CPMI do INSS segue sua agenda com foco em apurar as supostas irregularidades que têm impacto direto sobre aposentados e pensionistas em todo o país.
Com Informação Agência Brasil




