A nona edição do projeto Júri Épico, realizada nos dias 5 e 6 de setembro, em Manaus, reuniu juristas, estudantes de Direito e o público em geral em um dos eventos acadêmicos mais aguardados do calendário jurídico nacional. A iniciativa, que promove simulações de julgamentos de figuras históricas e lendárias, teve como réu, desta vez, o lendário boto rosa, criatura mítica do imaginário amazônico e culminou em uma condenação apertada: 4 votos a 3.

A simulação reproduziu com fidelidade os ritos do tribunal do júri. O caso apresentado foi o de João Nunes da Conceição, um pescador acusado de estuprar e matar a própria filha de 11 anos, alegando que estaria possuído pela entidade do boto rosa no momento do crime. Ao longo de dez horas, acusação e defesa apresentaram provas e depoimentos, diante de uma plateia formada por alunos, professores e curiosos vindos de 23 estados brasileiros.
Homenagem a Flávio Antony
Durante o evento, o secretário-chefe da Casa Civil do Amazonas, Flávio Antony Filho, foi homenageado pelos organizadores do Júri Épico — grupo formado por atores, advogados e educadores — pelo apoio institucional dado à realização da atividade em Manaus. Em sua fala, ele destacou a importância da formação jurídica para o desenvolvimento do Estado.
“O Amazonas é um celeiro de grandes advogados, de juristas. Que o trabalho de vocês estimule mais pessoas a aderirem à profissão. Meus parabéns pela coragem, pelo empreendedorismo, por realizar este importante evento”, afirmou Flávio.
No dia seguinte, sábado (6), Antony também participou da programação de palestras realizadas no Instituto Cultural Brasil-Estados Unidos (ICBEU), abordando o tema “O desafio da Advocacia na Governança Pública”. Ele ressaltou os avanços tecnológicos na administração pública estadual, como a digitalização e a tramitação virtual de documentos, que hoje permite à Casa Civil processar cerca de 250 documentos por dia com mais agilidade.
Em um momento de emoção, o secretário encerrou sua palestra prestando uma homenagem ao pai, o advogado Flávio Antony, presente na plateia. Com mais de 50 anos de carreira, o jurista é reconhecido nos tribunais amazonenses por sua trajetória como procurador e secretário de Estado, além de ser respeitado pelo profundo conhecimento jurídico e atuação ética.
Histórico do Júri Épico
Criado em 2019, o Júri Épico busca aproximar o público do funcionamento do sistema judiciário, por meio de julgamentos teatrais baseados em figuras históricas e folclóricas. Ao longo das nove edições já realizadas, apenas três “réus” foram condenados:
- Virgulino Ferreira da Silva (Lampião) – Condenado
- João Grilo – Absolvido
- Cabeleira – Absolvido
- Padre Cícero Romão Batista – Absolvido
- Corisco – Absolvido
- Nego D’água – Absolvido
- Santilio de Barros (Cangaceiro Gato) – Condenado
- Bartolomeu Bueno da Silva (Anhanguera) – Absolvido
- João Nunes da Conceição (Boto Rosa) – Condenado
O projeto continua sua jornada pelo Brasil, despertando o interesse pela Justiça e oferecendo uma aula prática, interativa e inesquecível aos futuros operadores do Direito.




